quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Copa do Mundo no meu quintal

Se na minha infância, você chegasse no meu ouvido, como quem conta um segredo e, falasse assim: vai ter Copa do Mundo no Brasil. Eu provavelmente não acreditaria. Agora, se você dissesse: vai ter Copa do Mundo em Itaquera. Daí eu iria rir da sua cara e sair correndo pra continuar a jogar bola na ladeira da Noite Verde.

A Noite Verde é a rua onde cresci. Sim, até os 16 anos esse foi meu endereço, rua Noite Verde, Vila Carmosina - Itaquera. E por lá a rua já foi de barro, confesso que não lembro bem dessa época, mas foi. Mas depois, o grande prefeito de São Paulo, que anuncia até hoje seus feitos (colocou a Rrrrrota na rrua), fez a obra, asfaltou a Noite Verde. Essa parte da Rota também é verdade, lembro vagamente de um dos amigos de meus tios que foi morto pela polícia, lá pertinho da Noite Verde.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sem pedaços

Eu sei o quero
juntei os cacos, estou sem pedaços
inteira

Mas você vacila
oscila
metade

De mim!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Verdes lembranças

No pé de abacate
No quintal de terra batida
Sempre tinha alegria verde

Ela sorria e oferecia
Amassava e misturava
Fruta e açúcar


Doce de vó.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Toque gélido

O toque gélido da morte

Faz da pele macia
Um esturricar descontente

Faz do colo certo
Um monte de incerteza que cheira à flor

Faz do riso fácil
A dureza da expressão sem cor

Faz das rodas de gargalhadas
Um fungar cheio de dor

Faz de lembranças
História

O inverno chegou!

R.I.P

Vó Odete
[1940-2014]


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Leveza

Achei que me sentiria vazia
Quando você já não estivesse
Em sua velha casa
Dentro de mim

Mas, o que sinto agora
É mais como um alívio 
Um respirar desafogado
A leveza, que faz a brisa bater e

Desejar alçar novos voos



[...]

terça-feira, 26 de novembro de 2013

No espelho


Concentrada olhando no espelho
Pergunta-se mais uma vez
Por que não esquecê-lo?

Ajeita os cílios
Que são como pensamentos
Tentando se aprumar
Mas vão a um só lugar

No espelho ela olha pra dentro
E o sorriso surge verdadeiro
Mas, então
Por que não esquecê-lo?

Sonhou dias atrás
Com o amor que a satisfaz
Mas acordou e o amor... Jaz
Por que não esquecê-lo?

Porque não há mais evidências
Sobrou só
A sua carência

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Apatia


Eu queria ver o sol nascer
Como se eu fosse amanhecer
A esperança que encarna o novo dia
Retiraria toda minha agonia

Como se fosse mágico ver
Que há luz após anoitecer
Ao levantar-se a estrela, brilharia
A vida sorriria

Mas, o que fiz foi escolher
Nada novo nesse dia, poderia acontecer
Recolher-me no que conhecia
A segurança da apatia

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Encantamento


Eu não preciso te impressionar
Por isso ou aquilo
Não faz-se esforço para o gostar

Aquele dia que ouvi tua voz
E teus olhos esquadriaram meu sorriso
Ali já era caso perdido

Então, vestiu-se a melhor roupa
O perfume espirrou na pele
Falou-se de tantos assuntos

Mas o beijo surgiu no silêncio
Assim como admiração,
Encantamento

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Aquela dança


Ela se move na pista
Não acerta os passos
Mas o escuro
Parece local seguro

Ela tem ele à vista
Observa seu compasso
Tudo parece tão claro
Os pés deslizam no chão duro

Mas o coração palpita
Entorpecidos pelo balanço
Mexem-se quadris e ombros
Braços erguem-se em coro

Com sorriso minimalista
De canto de olho, enxerga o sucesso
Do flerte prematuro
O romance sem futuro

Do jeito que gosta
Entrelaçam-se num abraço
O canto da boca sorri em apuros
"É a última vez, eu juro"