terça-feira, 8 de outubro de 2013

Encantamento


Eu não preciso te impressionar
Por isso ou aquilo
Não faz-se esforço para o gostar

Aquele dia que ouvi tua voz
E teus olhos esquadriaram meu sorriso
Ali já era caso perdido

Então, vestiu-se a melhor roupa
O perfume espirrou na pele
Falou-se de tantos assuntos

Mas o beijo surgiu no silêncio
Assim como admiração,
Encantamento

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Aquela dança


Ela se move na pista
Não acerta os passos
Mas o escuro
Parece local seguro

Ela tem ele à vista
Observa seu compasso
Tudo parece tão claro
Os pés deslizam no chão duro

Mas o coração palpita
Entorpecidos pelo balanço
Mexem-se quadris e ombros
Braços erguem-se em coro

Com sorriso minimalista
De canto de olho, enxerga o sucesso
Do flerte prematuro
O romance sem futuro

Do jeito que gosta
Entrelaçam-se num abraço
O canto da boca sorri em apuros
"É a última vez, eu juro"

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A reação alérgica


Óculos quadrados, pretos por fora, rosa por dentro, fica bem em qualquer um que experimenta, estava na garota de blusinha preta, que virou o rosto para não ver a agulha furando a pele, o pânico é maior do que a dor, tem medo de injeção e fazia um bom tempo que não era picada na veia. A mãe tenta lhe confortar, passa gentilmente as mãos em suas costas. Ela não viu como isso aconteceu, mas um esparadrapo e algodão logo tomaram o lugar da agulha que colocou o remédio pra dentro. Agora ela estava fazendo inalação.

[...]

Três horas antes, ela havia acordado para mais uma segunda-feira de trabalho. Sentiu a garganta seca, praguejou contra o tempo seco. Sentiu a boca maior, colocou a mão no rosto, algo estranho acontecia. Pegou o celular e no escuro do quarto, fez dele espelho, como muitas vezes antes, mas agora enxergou um rosto que não era dela. A mãe fazia hora na cama, levantou-se, foi até o espelho do banheiro. A mãe passou no corredor:

- Mãe, acho que não vou trabalhar hoje.
- Por que?

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Uma noiva às vésperas do casamento

Faltando menos de 30 dias para o meu casamento, me pergunto como não enlouqueci para chegar até aqui. Quem olha de fora, muitas vezes não sabe por quantas loucuras, momentos de desespero, euforia total, nervosismo, raiva, alegria, enfim, uma montanha-russa de emoções que toma conta de uma noiva (ou de uma noivazilla, rs)... Até para escrever esse texto foi mais uma emoção (como estava contando para a Monique, comecei a escrever entre a organização da lista de convidados, a montagem do mapa de mesas e uma breve refeição).


São dias de loucura, seguidos de dias em que nem parece que você vai casar. Dias com mil coisas para fazer, para pensar, para resolver e lugares para ir, seguidos de dias de completa estagnação. Toda noiva merecia ter alguns dias de 72 horas.


Mas no começo, você nem sabe o que fazer: entra em todos os sites de casamento, compra todas as revistas e acho tudo o que vê pela frente lindo. Se for como eu então, que gosta de colocar a mão na massa, vai achar que com um bom tutorial é capaz de fazer qualquer coisa para o seu casamento (ainda mais porque essa coisa de economize e faça você mesmo estão na moda).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Imagination


I already loved you
As Gatsby loved Daisy
For you
I could give great parties

But I know
Was just my extraordinary imagination
Cause in beautiful illusions
Are no happy endings


*Escrito dia 07/06 após assistir "O grande Gatsby"

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lidando com a morte... de personagens

Este poema contém spoilers de filmes, livros e seriados.



A morte alcançou-me
Ainda na infância
Onde ainda havia esperança
...

O leão do penhasco caiu
Rugiu para um mergulho de dor
Só restaram as lágrimas do amor

Eles descobriam juntos
O primeiro amor e as dádivas da vida
A inocência foi perdida

Quando sozinha
Ela descobriria que
Sem os óculos, ele jamais enxergaria

A dor que ele sentia
Alívio a outros trazia
O mundo já não suportaria

Tê-lo em sua companhia
Na cadeira da morte ele sentou
Foi um choque de rancor

Da amizade floresceu
Um grande amor
Não desfrutado

Quando então chegou o tempo
De vivê-lo maduro
A bicicleta freou seu rumo

De Khal Drogo era chamado
Temido e glorificado
Doce tornou-se e amou um bucado

Até que a bruxa velha encontrou
E a alma lhe tirou
Sufocado por amor

Honrada seja a família
De Robb Stark e companhia
De confiança vivia

Até que no belo dia
Redenção esperaria
Do homem que esfaquiaria

A esperança de uma família
Jaz sem terra, jaz sem cabeça
Jaz sem vida!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A fuga


Entre seus dedos passavam os ramos da plantação de trigo que de longe dava ar de visão cinematográfica, mas de perto, um esconderijo inseguro. O sol morno do outono incomodava seus olhos castanhos, que se fechavam numa expressão carrancuda. Ia passando, com certa dificuldade, os ramos do trigo, o tênis surrado e o vestido amarelo florido se camuflavam. O peso nos ombros não era só do medo, mas da bolsa marrom transpaçada no corpo. Correu até se perder, mas queria perder-se de si mesma, apagar dos olhos a cena que lhe fez prender muito ar no estomâgo e correr.

Os ramos outrora altos foram aproximando-se do chão e à sua frente, abriu-se uma trilha. Agora o sol batia diretamente em seus cabelos negros, a pele branca ardia vermelha, do suadouro da fuga.

Seguiu um pouco mais, as pernas tremulas não sustentaram o corpo ao tropeçar numa pedra, caiu ao chão, virou-se de frente, com as mãos na barriga que roncava, encarou o céu azul, fechou os olhos de cílios grandes e chorou.