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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Remeber who you are

Sim. Este é mais um texto de fim de ano. Daqueles!

"Lembre-se de quem você é", após ouvir essa frase Simba percebeu que era hora de retornar à Pedra do Rei e finalmente assumir seu lugar no ciclo da vida. Em 2014, não tive uma epifania assim tão clara, mas re-encontrei-me comigo e foi maravilhoso!

No geral, mundialmente falando, esse foi um ano estranho. Mas disso você já sabe. O que eu sei é que dentro de mim, as coisas encontraram um lugar, se ajeitaram e estou sentindo um conforto que há tempos não sentia.

Este ano...

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vontade de escrever...


Sobre estar lendo um livro bom, parecido com "Intocáveis"
Sobre achar um livro da mesma autora na Livraria Cultura e ficar pensando que autores encontram fórmulas de sucesso e vendem um bucado de livros
Sobre não me esforçar para encontrar a minha
Sobre ter vontade de escrever, ir tomar banho e imaginar todo o texto, correr pra escrever e não escrever nada que não mereça o backspace
Sobre os argumentos racionais que me dou para não me apaixonar por aquele cara
Sobre sonhar beijando aquele cara e no sonho o subconsciente já dar o recado utilizando todos os argumentos que uso acordada
Sobre ficar se lamentando por não estar com aquele outro cara, mesmo sabendo que é pouco
Sobre lembrar de "As vantagens de ser invisível" e pensar que era o caso de aceitar o amor que achava merecer, mesmo sabendo que mereço mais
Sobre estar triste sem motivo aparente
Sobre olhar no espelho e ver a sobrancelha precisando ser feita
Sobre ter preguiça de fazer a sobrancelha
Sobre correr naquela curva onde o vento bate mais forte
Sobre cantarolar uma música mentalmente enquanto corro, pra ajudar a não desistir
Sobre como é mais fácil desistir se o outro desiste
Sobre como ficar esperando por notificações no celular pode ser torturante
Sobre como minha geração é dependente dos pais, financeiramente  e emocionalmente
Sobre a fotografia que quero fazer da minha tatuagem, uma foto P&B de boca vermelha
Sobre o texto que irei escrever sobre essa fotografia
Sobre todos aqueles textos inacabados

Sobre mim.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A fuga


Entre seus dedos passavam os ramos da plantação de trigo que de longe dava ar de visão cinematográfica, mas de perto, um esconderijo inseguro. O sol morno do outono incomodava seus olhos castanhos, que se fechavam numa expressão carrancuda. Ia passando, com certa dificuldade, os ramos do trigo, o tênis surrado e o vestido amarelo florido se camuflavam. O peso nos ombros não era só do medo, mas da bolsa marrom transpaçada no corpo. Correu até se perder, mas queria perder-se de si mesma, apagar dos olhos a cena que lhe fez prender muito ar no estomâgo e correr.

Os ramos outrora altos foram aproximando-se do chão e à sua frente, abriu-se uma trilha. Agora o sol batia diretamente em seus cabelos negros, a pele branca ardia vermelha, do suadouro da fuga.

Seguiu um pouco mais, as pernas tremulas não sustentaram o corpo ao tropeçar numa pedra, caiu ao chão, virou-se de frente, com as mãos na barriga que roncava, encarou o céu azul, fechou os olhos de cílios grandes e chorou.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Dia chuvoso


Dia chuvoso, o menino olha na janela, as gotas batem, fazem um barulho engraçado, mas o que é mesmo bonito é ver as gotas no vidro, como que se o vidro estivesse chorando, diante do tédio, o menino ajeita a touca cinza na cabeça e prossegue contando as lágrimas da janela.

Olha pra cima, nenhum sinal de vida, tudo nublado. Dias nublados são cansativos, vagarosos, penosos. Respira fundo, coração apertado, parece mesmo tudo cinza. A pele branca parece brilhar em dias como esse, puxa as mangas do moletom.

Ajeita-se debaixo do edredom, no sofá surrado, olha a TV em sua frente, brilhos esmaltados. Seus olhos azuis doem ao sair do cinza para as cores de um desenho. Aventuras repetidas, mais uma vez a mesma cena, que infância!