Entre
seus dedos passavam os ramos da plantação de trigo que de longe dava ar de visão
cinematográfica, mas de perto, um esconderijo inseguro. O sol morno do outono
incomodava seus olhos castanhos, que se fechavam numa expressão carrancuda. Ia
passando, com certa dificuldade, os ramos do trigo, o tênis surrado e o vestido amarelo
florido se camuflavam. O peso nos ombros não era só do medo, mas da bolsa
marrom transpaçada no corpo. Correu até se perder, mas queria perder-se de si
mesma, apagar dos olhos a cena que lhe fez prender muito ar no estomâgo e
correr.
Os
ramos outrora altos foram aproximando-se do chão e à sua frente, abriu-se uma
trilha. Agora o sol batia diretamente em seus cabelos negros, a pele branca
ardia vermelha, do suadouro da fuga.
Seguiu
um pouco mais, as pernas tremulas não sustentaram o corpo ao tropeçar numa
pedra, caiu ao chão, virou-se de frente, com as mãos na barriga que roncava, encarou
o céu azul, fechou os olhos de cílios grandes e chorou.
