Óculos quadrados, pretos por fora, rosa por dentro, fica bem
em qualquer um que experimenta, estava na garota de blusinha preta, que virou o
rosto para não ver a agulha furando a pele, o pânico é maior do que a dor, tem
medo de injeção e fazia um bom tempo que não era picada na veia. A mãe tenta
lhe confortar, passa gentilmente as mãos em suas costas. Ela não viu como isso
aconteceu, mas um esparadrapo e algodão logo tomaram o lugar da agulha que
colocou o remédio pra dentro. Agora ela estava fazendo inalação.
[...]
Três horas antes, ela havia acordado para mais uma
segunda-feira de trabalho. Sentiu a garganta seca, praguejou contra o tempo
seco. Sentiu a boca maior, colocou a mão no rosto, algo estranho acontecia.
Pegou o celular e no escuro do quarto, fez dele espelho, como muitas vezes
antes, mas agora enxergou um rosto que não era dela. A mãe fazia hora na cama,
levantou-se, foi até o espelho do banheiro. A mãe passou no corredor:
- Mãe, acho que não vou trabalhar hoje.
- Por que?






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